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«Eat the Word, Chew the Meaning, Prophesy the Taste» – viagem de pesquisa de Pedro Zylbersztajn à Villa Sträuli [CH]

Suíça — Viagens de pesquisa

Mais informações

Pedro Zylbersztajn
Villa Sträuli

Artista e pesquisador cujo trabalho discute linguagem e retórica, além de protocolos para o controle e a manutenção da vida cotidiana, Pedro Zylbersztajn [BR] participou de um programa de pesquisa na Villa Sträuli, Winterthur [CH], em março e abril de 2023.

Durante sua estadia, ele mergulhou em metáforas históricas e contemporâneas, comparando a leitura e a compreensão textual com a alimentação e a digestão, como visto em expressões cotidianas como “paladares literários”, “dietas de mídia” ou “fatos estagnados”, explica o artista.

“Partindo de análises e reinterpretações de exemplos culturalmente significativos de tais metáforas — mais significativamente o Manifesto Antropofágico dos primeiros modernistas brasileiros (1928) e São João comendo o livro de profecias do Anjo no «Livro do Apocalipse» (c. 95 d.C.) — a pesquisa começou a explorar esse modo de pensar sobre nossa relação com a aquisição de conhecimento. Essas metáforas recentralizam o papel do corpo na experiência do leitor, afastando-o do olho e do cérebro para a boca e as entranhas.

De fato, elas também orientam a noção de leitura como consumo. Se consumir, etimologicamente, é usar algo e destruí-lo no processo, como fazemos com os alimentos, então isso implicaria que nossa noção de cultura de consumo tem um ethos predatório. Isso também significa que analisamos o conhecimento dividindo os textos em alguma forma de combustível útil (ou energia vital) e resíduos irrelevantes (ou excrementos).

Usei o tempo da viagem para começar a articular essas ideias por meio de uma série de ações diferentes, como desenhar, escrever, performar, coletar e filmar. Aproveitei a oportunidade para me envolver com uma ampla gama de profissionais na Suíça que têm pensado sobre a política da alimentação e suas relações com a arte e a literatura e, a partir desses contatos, tentei propor uma visão consciente da nossa relação corporal com o texto, o conhecimento e suas políticas tributárias: desde a posição da cultura textual no atual cenário de produção de conhecimento do capitalismo cognitivo até os debates sobre apropriação cultural e, talvez o mais importante, as preocupações ecológicas em torno do consumo excessivo dos recursos naturais do planeta.

No final da estadia de um mês, tive a oportunidade de apresentar uma leitura performática do texto em que trabalhei com base no acúmulo dessas experiências, o que serviu como um ponto culminante, mas também como uma sessão de feedback extremamente valiosa sobre o estado da pesquisa, que continuará sendo desenvolvida na Suíça, no Brasil e em outros lugares.”

Após a experiência, Pedro iniciou um diálogo com possíveis parceiros para dar continuidade ao projeto no contexto suíço.

SOBRE

Pedro Zylbersztajn é um artista e pesquisador brasileiro que investiga a relação circular entre imagem, linguagem, protocolos do cotidiano, tecnologia e autoridade. Participou de exposições, feiras, mesas redondas e publicações internacionais, entre as quais a individual «Como se eu fosse o fotógrafo: Carlos Amadeu Gouvêa», «1971» (Casamata, Rio de Janeiro, BR, 2016) e a performance solo «brickwork» (Americas Society Visual Arts, Nova York, EUA, 2018); a FRONT International Triennial 2022 (Cleveland, EUA), a 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BR, 2019); a conferência Édouard Glissant’s Tout-Monde: Transnational Perspectives (CUNY Graduate Center, NY); e as exposições coletivas «Trembling Thinking» (Americas Society, NY) e «Time Capsule 2045» (Palais des Beaux-arts de Paris, FR e Musée d’Art et Histoire, Genebra, CH). Foi residente no Pivô (São Paulo, BR, 2020) e na Kulturhaus Villa Sträuli (Winterthur, CH, 2023) e bolsista de pós-graduação no programa de pesquisa Art by Translation (França, 2019-2021). Pedro é mestre pelo Programa de Arte, Cultura e Tecnologia do MIT (EUA). Ele também faz parte de várias iniciativas coletivas, atualmente como membro do grupo de pesquisa micro-histórias da Casa do Povo, como associado da plataforma pedagógica experimental CAMPO, coordenador do grupo de estudos Disposições Infraestruturais e membro do coletivo de pesquisa do Programa Index Literacy.

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